PROJETO: RÁDIO ESCOLAR DA VILA

1. OBJETIVO GERAL
· Promover o processo de ensino-aprendizagem a partir da comunicação radiofônica entre a escola, estudantes e comunidade em geral.
1.1 Objetivos específicos
· Estabelecer um canal de comunicação na comunidade escolar e estimular o trabalho coletivo;
· Conhecer a linguagem radiofônica;
· Desenvolver a criatividade e a oralidade,
· Compreender o conceito de comunicação
· Desenvolver a autonomia e o pensamento crítico,
· Desenvolver o protagonismo infantil.
2. METODOLOGIA
Para Freire (1987) a comunicação transforma seres humanos em sujeitos na medida em que é vista como um processo de comunicação, uma construção partilhada do conhecimento mediada por relações dialógicas entre os homens e o mundo.
Pressuposto que estimulou, no planejamento entre as professoras envolvidas no projeto, a construção de uma rádio escolar, entende com um importante veículo de comunicação social que possibilita a democratização do acesso à informação, além de desenvolver a autonomia dos/as estudantes no processo de aprendizagem articulando o ambiente escolar e a comunidade em geral.
Neste sentido, para motivar a ideia do projeto junto aos/às estudantes, realizou-se uma leitura coletiva, em sala de aula, o livro O que são Classes Sociais? Permitindo aos/às estudantes debater sobre a estrutura das classes sociais, como elas atuam na sociedade e como elas se comunicam na sociedade. E quando se discutiu esta última dimensão do debate, se introduziu a ideia de construção de uma rádio escolar, como forma de representar a comunicação entre as classes sociais.
Após este momento, foram desenvolvidas algumas etapas para materializar a construção da rádio escolar, conforme descrito a seguir.
O primeiro passo foi a realização de um concurso para a escolha do nome da rádio: Rádio Escolar da Vila.
Pesquisa via internet, sobre como funciona uma rádio escolar (BRASIL, 2018), como forma levantar os equipamentos necessários para se organizar uma rádio.
Organização de grupos dos estudantes para a divisão das tarefas para a construção da rádio.
Reunião com os grupos de estudantes para organizar a estruturação, programação e pauta da rádio.
O seguinte passo se constituiu em selecionar os/as estudantes que desenvolveram a programação da rádio. Sendo selecionado/as os/as locutores/as (2), repórteres (3) e sonoplastas (2) da rádio.
Em sala de aula foi preparado, coletivamente, as estruturas escritas para a realização das entrevistas e levantamento das informações para as matérias da rádio na escola e na comunidade. Além disso, se organizou e preparou para a gravação de vídeos, áudios, programação para a narração.
Dessa maneira, com os grupos organizados, foi realizada uma saída de campo, com autorização dos pais/ mães e/ou responsáveis, para colher informações sobre notícias locais, referências do comércio para propaganda e anúncios.
No momento seguinte, foi realizado um levantamento de 10 músicas preferenciais, por turma da escola, como forma de organizar uma play list de músicas, inclusive organizando um gráfico com as músicas mais indicadas.
No momento seguinte, se estruturou também os equipamentos para o lançamento da rádio no dia do Circuito de Ciências Local (na escola).
3. RESULTADOS
Como as ações do projeto se firmaram nos princípios de pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, em que procurou estimular tanto os/as estudantes envolvidos/as como os/as entrevistados/as a pensar e a expressar livremente sobre as questões trabalhadas, apresentaram os resultados conforme descritos a seguir.
De forma relevante, as saídas de campo possibilitou a comunicação efetiva entre os/as agentes do projeto, os/as estudantes, com a comunidade escolar, assim como, com a própria comunidade em geral, que em determinadas situações avaliaram que “esta forma de trabalho da escola funciona muito bem, pois o aluno vem à comunidade buscar as informações” (depoimento de uma moradora).
E segundo o professor Wesley, do Instituto Federal de Brasília, que visitou a Rádio Escolar da Vila e foi entrevistado pelos/as estudantes:
Essa experiência foi fantástica, pois os estudantes realmente constroem sua autonomia no processo de aprendizagem, além de permitir o acesso e conhecerem a linguagem radiofônica, amplia o repertório de palavras de cada um/a. Também veja, uma oportunidade de garantir aos estudantes as condições reais de serem sujeitos em seu processo de aprendizagem, envolvendo a comunicação, a criatividade, e, essencialmente a oralidade.
Neste sentido, observa-se que em cada etapa da construção da rádio, de fato, primou-se pelo envolvimento, compromisso e autonomia dos/as estudantes em se sentirem protagonistas neste processo, com a intencionalidade de elevar os/as mesmos/as em seu processo de aprendizagem.
Ademais, garantindo o entendimento, a compreensão, bem como o conceito de comunicação entre as classes sociais, por meio de vídeos-aulas, pesquisas na escola e em suas famílias, na construção das pautas para a rádio. Como forma de levantar informações da realidade em que vivem e assim avaliarem e analisarem para o devido tratamento para ser apresentado na rádio, desenvolvendo, dessa maneira seu pensamento crítico.
Pois como expressou a professora Luciana, coordenadora do projeto:
Percebi mudança tanto na postura quanto no compromisso dos alunos em sala de aula e na escola, pois passaram a ser muito mais questionadores, e acima de tudo, questionadores/as críticos. Falando, como fundamento, sobre suas necessidades, desejos, pensamentos e até sobre a própria relação entre a escola e a comunidade.
Para tanto, como observa a citada professora, os/as estudantes foram capazes de “entender sobre a necessidade das classes sociais, que compõem a sociedade, de se comunicarem, pois assim, podem se organizar e exigir por seus direitos”. Mas também, segundo ela, foram capazes de “construírem, coletivamente a pauta da rádio, elabora anúncios, entrevistas, reportagens e organizar um relação de músicas a partir da pesquisa que fizeram nas turmas”. Revelando dessa maneira, o nível de apropriação e protagonismo dos/as estudantes neste processo.
Outro elemento importante na realização do projeto foi a motivação de cada um/a na construção dessa experiência, principalmente porque  compreenderam a função comunicacional da rádio, como instrumento que as classe sociais podem usar no enfrentamento de suas dificuldades no dia-a-dia.
Neste sentido, a experiência, como estratégias didático-pedagógicas, revelou-se como fundamental para um processo de aprendizagem que tenha como perspectiva a autonomia e o senso crítico dos/as estudantes, pois exigiu o desenvolvimento de várias atividades diferencias à rotina de sala de aula, como: roda de conversa, atividades externas, plenárias, monitoria, eleição de líderes em sala, bem como, escolha de representante dos grupos e de sala.
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesse sentido, a rádio escolar como veículo de comunicação mostrou-se, conforme objetivos propostos, de importância fundamental importância no processo de aprendizagem significativa.
Ademais, como grande motivadora da expressividade e estimulando da oralidade dos/as estudantes, levando a compreensão dos/as mesmos/as quanto ao processo de comunicação entre as diferentes classes sociais que compõe a sociedade.
Desse modo, a experiência como ferramenta pedagógica, mostrou a real possibilidade de garantir aos/às estudantes as condições para que discutir conteúdos, analisar a realidade em que vivem e intervir na mesma. Tornando-os/as assim, sujeitos autônomos e críticos, e propositores/as de ideias e para a transformação social.
Por fim, o projeto da Rádio Escolar da Vila se constitui como uma estratégia pedagógica que estimulou os/as estudantes da Escola Classe Vila do Boa a analisarem como os conteúdos são disseminados pelos meios de comunicação, mas também, levou-os/as a apropriarem do uso da norma culta da linguagem e de formas mais elaboradas de expressão oral. Além de proporcionar o acesso à tecnologia por meio da utilização de diversos recursos e equipamentos de som e imagem.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Projeto de rádio surpreende pela qualidade em Fortaleza.  Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/35386 >. Acesso em: 10 mai. 2018.
DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Currículo em Movimento da Educação Básica: Ensino Fundamental – anos iniciais. Subsecretaria de Educação Básica, Brasília – DF, 2013.
______. Regulamento do Circuito de Ciências das Escolas da Rede Públicas de Ensino do Distrito Federal. Subsecretaria de Educação Básica, Brasília – DF, 2018.
EQUIPO PLANTEL. O que são classes sociais? Ilustrações: Joan Negressor; tradução Thaisa Burani. – 1. ed. – São Paulo: Boitatá, 2016.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

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